Partes de um quadro
Para começar, vamos ver no gráfico abaixo as partes que compõem um quadro típico. Estão relacionados os nomes em inglês e seus similares em português:
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Ângulos
Agora, vamos ver as principais medidas e angulações. Na legenda temos a influência de cada ítem no comportamento da bike:

| Legenda | |
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A
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Comprimento do Top Tube. Quanto maior, mais esticado você ficará sobre o quadro, e maior poderá ser a estabilidade e a aerodinâmica. Mas, se o tamanho for exagerado, aparecerão dores na região lombar e a biodinâmica será prejudicada. Um Top Tube curto pode garantir respostas mais rápidas da bike, mas a estabilidade ficará prejudicada, principalmente em descidas. |
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B
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Comprimento do Seat Tube. Este comprimento é utilizado pelas fábricas para determinar o tamanho da bike (Polegadas no MTB e centímetros no Speed). Hoje já perdeu importância para o comprimento do Top Tube, pois os designs dos fabricantes estão mudando com muita frequência. Quanto maior esta medida, maior será o tamanho geral do quadro . O ideal é que ele permita conforto quando de pé sobre o quadro, com os pés no chão. |
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C
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Esta medida tem uma relação direta com o conforto e com a tração exercida pela roda traseira. Quando mais curta, maior será a tração, mas menor será o conforto. Tração é algo muito desejado, mas a excessiva proximidade do pneu com os tubos cria outro problema: Acúmulo de barro, no caso do Mountain Bike e Down Hill. Pode também criar um balanço incorreto com a parte da frente da bike, que tenderá a "empinar" a dianteira em subidas mais íngremes. |
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D
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Angulo do Seat Tube. Esta é uma das medidas fundamentais da bike, e determina o posicionamento correto do ciclista sobre o quadro. Normalmente, fica entre 71º e 73º , mas em alguns casos pode cair para aumentar o conforto e estabilidade(Down Hill, chegando a até 68º) ou subir para aumentar a performance (Triathlon, chegando a 78). |
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E
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Angulo do Head Tube. Esta é outra medida fundamental da bike, e determina as reações da bike. O normal é estar em torno de 71º. Quanto mais alta a angulação, mais rápida e arisca ficará a frente da bicicleta. Quanto mais baixa, mais estável e lenta. Bicicletas de Down Hill tendem a ter este ângulo bem relaxado, para facilitar as descidas, embora a frente se torne menos ágil. |
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F
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Ângulo ou distância de Caster. Determina a angulação do garfo (também chamada de "off-set"), influenciando diretamente nas reações da bike, principalmente em curvas. Quanto maior esta distância, mais estável e lenta ficará a frente da bike. Cada tipo de garfo tem suas próprias características de Cáster. |
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G
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Distância entre-eixos. Medida entre os centros dos eixos das rodas. De uma forma geral, quanto maior for, mais estável e menos reativa será a bike, mas isto também depende bastante das outras medidas. |
A escolha consciente de um quadro deve passar pela leitura destes números. O ciclista deverá levar em conta o seu tipo de pilotagem, o tipo de terreno que mais utiliza, o tempo médio que permanece pedalando, o tipo de pneus que usa e as inclinações dos percursos, só para citar alguns ítens. Depois disso, terá alguma base para escolher corretamente um quadro, já que cada fabricante possui características próprias em suas linhas.
Tamanho
Nada é mais frustrante do que um quadro de tamanho errado. Cansa, dói e não rende. Os fabricantes adotam a medida do Seat Tube como referência, mas não há uma padronização, já que não há um consenso sobre os pontos certos para medição. Alguns consideram o centro dos tubos, outros só a parte superior, outros só a inferior...
Não há uma regra específica, o importante é que o ciclista fique corretamente posicionado sobre a bike. Depois de um passeio, nada deve estar doendo, nem na musculatura, nem nos ossos. Para descobrir o tamanho correto, há duas fórmulas que, embora nada científicas, são bem aceitas:
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Speed
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Mountain Bike
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Seat Tube (em centímetros) =
Altura do cavalo x 0,65 |
Seat Tube (em polegadas) =
(Altura do cavalo / 2.54) - 14 |
Altura do cavalo? O que é isso?

Encoste-se numa parede, descalço, com as pernas ligeiramente afastadas, vestido com sua bermuda de ciclista. Com um lápis, faça uma marca na parede fixando o encontro das duas pernas da bermuda. Meça com uma fita métrica, do chão à marca. Esta medida, em centímetros, é a sua "altura do cavalo".
Reações
As reações da bike ao esforço do ciclista e ao terreno estão diretamente ligadas à sua geometria. Os fabricantes de nível sabem disso, e adotam posturas diferenciadas que funcionam como assinaturas próprias. Alguns são melhores para subir, outros para descer, outros extremamente confortáveis, etc. Assim, cada quadro é diferente do outro, e cabe ao ciclista uilizar seu conhecimento para escolher o melhor modelo.
De uma forma geral, podemos concluir que:
- Quadros pequenos são mais ágeis;
- Traseiras curtas são mais eficientes;
- Dianteiras longas são mais estáveis;
- Quadros longos descem melhor;
- Quadros com angulações altas permitem pilotagem mais agressiva;
- Pouca preocupação do fabricante na angulação pode matar um bom projeto;
- Milímetros fazem diferença.
Não substime a geometria! Quadros são caros, e seu investimento pode ir por água abaixo se você não souber como aplicar as regras dos números. Portanto, inclua uma FITA MÉTRICA na sua lista de bike-equipamentos e seja feliz!
Características de fabricantes
Abaixo, temos algumas características adotadas por fabricantes conhecidos, e seus resultados:
| Fabricante | Conceito | Resultado |
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Scott
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Linha Reflex: Traseira e dianteira curta, angulações altas. | Pilotagem agressiva, agilidade. Sprints rápidos. Baixa absorção de impactos, pouco conforto em percursos longos. |
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Gary Fisher
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Linha Gênesis: Traseira curtíssima, frente longa. | Excelente tração, grande estabilidade. Baixa absorção de impactos. Excelente capacidade de subidas. |
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Lemond
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Ângulos baixos no Seat Tube e altos no Head Tube. Dianteira e traseira levemente alongadas.
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Altíssimo grau de conforto, com excelente absorção de impactos. Ótimo posicionamento em subidas extensas. Menor reatividade em sprints. Quadros feitos para treinos longos e demorados ou provas de alta quilometragem. |
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Kona
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Seat tube curto, dianteira longa. | Alto grau de manobrabilidade e agilidade. Favorecimento em descidas técnicas. A tubulação quadrada dos modelos mais novos garante excelente resistência à torção lateral, porém, com baixo índice de conforto. |
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Santa Cruz
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Traseira curta, dianteira curta, Seat tube curto, Head tube longo. | Permite posicionamento mais ereto, altamente confortável, principalmente em subidas longas. Excelente tração. Grande manobrabilidade em descidas rápidas. Muito arisca, baixa estabilidade em subidas curtas e técnicas. |
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KHS
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Top tube longo e posicionado mais baixo que a parte superior dos chain-stays, head tube curto, entre-eixos longo. | Grande estabilidade em descidas, menor agilidade em trechos técnicos, maior rigidez lateral. Permite grande liberdade de movimentação do piloto, porém, possui baixa reatividade. |
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Cervélo
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Linha P2 e P3: Traseira curtíssima, ângulos altos na dianteira e traseira. | Respostas e reações rápidas e poderosas. Baixíssimo índice de conforto. Alto rendimento no plano. Baixo rendimento em subidas. |
Situações especiais
Há modalidades que exigem geometrias especiais, como o o triathon, o contra-relógio, o down-hill, o dirt-jump e o bike-trial:
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No triathlon, os ângulos são mais retos, principalmente os do seat-tube. Esta geometria posiciona o corpo do atleta em uma posição mais aerodinâmica, já que no triathlon o vácuo não é permitido. Além disso, poupa um conjunto muscular que ainda será bastante exigido na terceira fase da competição, a corrida a pé. Na foto, uma Trek Equinox, dos USA.
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No contra-relógio, os objetivos são a aerodinâmica e a potência na pedalada, com o melhor aproveitamento possível da bio-mecânica. Seus ângulos são bem parecidos com as bikes de triathlon. Na foto, uma Trek TT, dos USA.
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No down-hill é necessária uma grande estabilidade nas descidas em alta velocidade. Para isso, há um aumento na distância entre-eixos e uma grande diminuição nos ângulos, principalmente na dianteira. Isto também é necessário para que seja possível acomodar suspensões com grande curso. Na foto, uma Rocky Mountain RM7, do Canadá.
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O dirt-jump é uma modalidade que exige controle, estabilidade e suspensões grandes na dianteira. Seus ângulos são bem próximos do down-hill. na foto, uma Norco Hun, do Canadá.
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Já o bike-trial é fundamentado no equilíbrio. Os quadros específicos desta modalidade possuem uma geometria que garante grande balanço entre diantetira e traseira, além de permitir uma enorme liberdade de movimentos e baixo centro de gravidade. Como o piloto nunca se senta, o canote e banco são desnecessários. Na foto, uma rara e ultra-especializada Megamo, da Espanha.
Fonte: BikeBros
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